Como anda o amor?

10/07/2019

 

Caminhando na calçada, passos lentos, me vi pensando numa pergunta: como anda o amor?

 

Quero dizer, o amor, aquele que dava frio na barriga e que nos tirava o sono.

 

Aquele que era reforçado ao sentir o perfume da mulher amada ou ao ouvir aquela música que marcou um dos tantos encontros. O tal do amor que a gente descobre quando menos espera e curte à toda enquanto ele vive. 

 

Alguns vivem por tempo determinado e outros vão por uma vida inteira. Amor com conteúdo.

 

É isso. Conteúdo. Muitos falam que nos dias de hoje o amor anda meio abandonado, deixado no canto da sala, ao lado do violão.

 

Discordo: pelo que tenho visto, muita gente se ama e leva um relacionamento pra frente com base na amizade, no sentimento, no respeito e na determinação.

 

Na verdade, o amor nunca morre. Ele pode mudar de alvo e pode chegar o dia em que um destes alvos te pega.

 

Te pega mesmo. Derruba qualquer noção de bom senso na cabeça do cidadão (ou da cidadã) e faz com que a razão perca para a emoção.

 

No fim, é isto: amar e sofrer por este amor é perder a razão e deixar a emoção em primeiro plano.

 

Alguns psicólogos defendem que não devemos sofrer por amor. Pergunto: será que eles amam alguém?

 

Difícil amar sem sofrer, sem curtir aquela fossa, sem saber que fim levou a moça dos sonhos?

 

Quando você menos espera, um silêncio acompanha o vazio que fica depois que o amor vai embora.

 

Ou depois que ela lhe deixa. Os anos passam e muitos amores não terminam. Se fortalecem, amadurecem, criam cascas contra briguinhas desnecessárias e contra intrigas que sempre aparecem. O amor adulto, sereno, tranquilo e verdadeiro somente une pessoas.

 

Amores da adolescência também marcam muito. Alguns passam como brisa e outros pegam como marcas.

 

Marcas que ficam. Ficam e sempre são lembradas. Às vezes com saudade, às vezes com dor.

 

Aí, ainda na calçada, chego à conclusão que o amor está vivo. Vivo e fazendo parte de vidas de centenas de pessoas.

 

Que mesmo que corram o dia todo, à noite sempre tem um tempo para um cafuné, um abraço, um beijo demorado, mas sentido.

 

O mundo pode se transformar ainda mais mil vezes, mas o sentimento do ser humano dificilmente mudará.

 

Amemos, pois.

 

 

 

 

 

 

 

 

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